Top Álbuns – 2011

Fim de ano é sempre uma época especial. Hora de rever pessoas, de relembrar encontros e de buscar na memória aquilo que de bom ficou no ano que passou. Em termos de música, tivemos 12 meses para lá de bacanas. No meio de 90 álbuns escutados (confira todos no fim do post aqui!), foi difícil escolher 10 para montar esse top.

E um top nunca é capaz de demonstrar o que de fato foi representativo nos tempos que passaram. Esse top não é capaz de mostrar a beleza reflexiva que foi o lançamento de álbuns de bandas icônicas da década passada. De quem menos esperávamos, veio o excelente Angles, fazendo nos lembrar que podemos ainda esperar coisas boas de um dos pilares fundamentais do indie. Quem não chorou quando a inesgotável Last Nite, ainda que por uma única noite, foi substituída por Under Cover Of Darkness naquela sua balada de rotina das sextas à noite?

Infelizmente, quem nós mais aguardávamos não correspondeu às expectativas. The King Of Limbs fica longe de empolgar e criar empatia. Seu maior mérito é ser mais um álbum do Radiohead. Mais nada. Poucas faixas que se enrolam em um enfadonho momento interminável. Ficamos com o clipe de Lotus Flower e ponto nessa história.

Tivemos também um ano excepcional para aqueles que gostam de música de baixa fidelidade e com cara de fita cassete caseira. Os lo-fis do mundo estão em êxtase. Ty Segall, WU LYF, The People’s Temple, IceAge, Milk Maid e Pure X são amostras de que a bola esteve lá em cima para os apreciadores de um bom ruído na gravação. A grandeza desse estilo é refletida no top 10, em que temos quatro álbuns do clássico lo-fi para nos deleitarmos. Todos débuts e um deles sendo brazuca. Yuck, Twerps, Youth Lagoon e Lê Almeida dão a coloração especial dessa lista.

No lo-fi ou quase lo-fi, ainda tivemos o fodaço Die It Blonde, dos Smith Westerns, que por detalhes e aos quarenta e cinco do segundo tempo saiu da lista. Uma pena, mas são somente dez. Porém, com certeza vale a pena ser ouvido. Noise pop, mais pop do que noise, de primeira qualidade em um dos álbuns sensações de 2011.

E nas pistas de dança, o que rolou? Com certeza o ano foi dominado por Cults e Foster The People. Torches com certeza foi o álbum mais tocado nos eventos descolados desse mundão de deus. O trio californiano levou seu pop dançante para o mainstream musical unindo a descolagem do indie com aquilo que você quer ouvir naquela tarde ensolarada em uma festa de verão. Coloque Pumped Up Kicks para tocar e curta a dona da batida mais sexy do ano.

Cabe espaço para mais duas considerações. Tivemos mais um épico absoluto shoegazeano com vibradas oitentistas do M83, que não entrou nesse top por pura miséria musical desse que vos escreve, e que demonstra a potência de um ano emblemático para o nosso querido estilo contemplativo dos sapatos (The Horrors (!), Widowspeak, Pure X e Pains estão aí para não me deixar mentir).

Além disso, tivemos mais um ano com coisas excelentes surgindo aqui na nossa terrinha, como os tão aguardados segundos álbuns de Los Porongas e de Tiê. Não foram superiores aos primeiros? Sim, mas ainda são dois excelentes registros. Mas inegavelmente o maior fato relevante, ainda que ninguém saiba, do Brasil, nos últimos 500 anos, foi a aparição da Transfusão Noise Records e seu estilinho que nós amamos.

Ainda poderíamos falar de muitas coisas que me aparecem na memória e, principalmente, de outras que não lembro nesse momento, mas chega de delongas e vamos ao motivo dessa verborragia, o nosso querido top 10 do ano!

10) Arctic Monkeys – Suck It And See

Falei de Radiohead e de The Strokes. Mas com certeza o grande reencontro desse ano foi com nossos queridos macacos do ártico. Suck It And See é mais do que um excelente álbum, é o peso das emoções dos últimos cinco anos. É a vontade de chorar quando aquele filme passa na nossa cabeça, filme que vai desde as noites dançando ao som de I Bet You Look God on The Dancefloor, passando pelo hino juvenil de Flourescent Adolescent e pelo ano ruim em que praticamente só Cornerstone salvou, e chegando ao momento que colocou tudo novamente nos trilhos e que tem como passagem musical o início de She’s Thunderstorms. Nem a impressão ruim deixada pela divulgação preliminar de Brick My Brick, que acabou virando uma excelente faixa no contexto do álbum, foi capaz de tirar esse álbum do top 10. Menos vibrante que os dois primeiros, mais acertado nas mudanças que Humbug, Suck It And See é o nosso novo Arctic, mas com o gostinho e as sensações do antigo. Deixar esse álbum crescer dentro de mim foi um dos grandes prazeres desse ano.

Destaques: That’s Where You’re Wrong (minha faixa preferida do disco e que sempre me faz querer ouvir tudo de novo), Suck It and See e Reckless Serenade

09) Yuck – Yuck

Viciante. Uma bomba viciante. Uma droga alucinante correndo no seu corpo. Uma tarde quente em uma garagem perdida, no meio de pneus, caixas de ferramentas, bicicletas velhas, maços de cigarro e algumas cervejas geladas. Um pôster do Crooked Rain, Crooked Rain colado logo ali. O som comum rola no meio de risadas. Esse é Yuck, banda anormalmente simples como o próprio nome. Simples como uma faceta que o rock nunca deveria esquecer. Como resgate daquilo que está virando senso comum nessa virada de década: o rememorar do rock lo-fi garageado dos anos 90. Um verdadeiro neopavementianismo. As guitarras distorcidas levadas por melodias descomplicadas e refrãos grudentos em uma sonzeira digna de uma rádio universitária que está prestes a descobrir Pixies. Um verdadeiro convite para você tirar o pó daquela sua guitarra velha, chamar seus velhos amigos e remontar a banda da rua que se perdeu nessa vida corrida.

Destaques: Get Away, Shook Down e Sunday.

8) Cults – Cults

Cults é de longe a banda mais descolada de 2011. O vídeo deles falando o tanto que eram nerds anti-sociais que resmungavam pelos cantos e que somente a vocal Madeline Follin, uma celebridade instantânea no meio alternativo, sempre teve todos aos seus pés já é algo para conquistar todos os corações de indies chorosos pelo mundão a fora. Cults é essa mistura de sentimentalismo artificial tão autoidentificável que é impossível não se apaixonar à primeira vista. Com uma sonoridade única e dona de uma radiofonia incrível, esse début pairou nas rádios e festas mais bacanas desse ano. Indie pop noiseado com misturebas eletrônica, possuindo uma tendência retrô no cantar e na disposição musical que deixa qualquer pé louco para sair dançando e qualquer boca louca para beijar e cantar. Sexy, downtempoquasedançante e estiloso. Esses apelos, junto com o fato de não terem virado tão mainstream como Foster, são os fatores que fizeram de Cults a banda que você deveria ter escutado esse ano, caso não quisesse ficar em dívida com a dona moda.

Destaques: Walk At Night, Most Wanted e Oh My God

7) Ivory Sky – Heartbeats

Beleza. Vamos falar de sentimentos. Vamos rimar amor com dor. Vamos chorar as feridas e declarar a paixão. Heartbeats é o álbum mais lindo desse ano. Um turbilhão de emoções de sofá despejados por um folk simples e de uma pureza única. Um Death Cab dos interiorões da América do Norte que tem como baluarte a voz de Jett Pace, com seu sotaque que não deixa negar suas origens. Às vezes apenas um piano e um cajon, em outras somente o violão. E a voz de Jett, que às vezes se torna até difícil de identificar o sexo de quem canta. Um álbum que escorre lágrimas, um álbum que sangra como os pulsos de uma América sincera, latente e dona de uma robustez de cores, texturas e passagens. Ao longo das 12 faixas, podemos sentir o calor do sol daquela manhã de primavera batendo nas costas quando olhamos de cima de um desfiladeiro rochoso para o torvelinho de um rio que corre lá embaixo, o gosto da cerveja de um bar esfumaçado em alguma cidade perdida do meio-oeste estadunidense e o clima das fronteiras úmidas entre Canadá e Estados Unidos. Em Run Free, faixa do álbum e quiçá do ano, podemos sentir tudo isso em uma amálgama sentimental com todo o peso de uma liberdade aprisionada ao amor mais incondicional.

Destaques: Run Free, More Than We Burn e This Whole World

6) Lê Almeida – Mono Maçã

“Vai, Lê! Seu safado”. Bêbado ao escutar Por Favor Não Morra após uma noite regada ao pior dos conhaques. Caras, sinceramente, não tem nada melhor que aquele chiado básico antes das faixas. Aquele zumbido de que “caralho, que gravação fuderosa da porra”. Solinhos memoráveis como aquele sexo embaçante com roupa no banco de traz do carro de teu pai dão o tom do álbum que mais honrou os culhões do lo-fi querido. Mono Maçã, como diria os sábios, é a melhor coisa que aconteceu na música brasileira desde Transa, de Caetano. “Bicho, mas essa porra é em português?” “Mas é claro, caralho. Lê Almeida, o nome desse sacana!”. Sim, taca esse album no teu som estourado que você não vai entender uma letra sequer do que está sendo cantado. Mas foda-se, Mono Maçã é a sinceridade mais escrota da festa mais escrota e mais suja e fodida que você poderia ter ido esse ano. E ainda vem um texto plastificado com palavrões para tentar passar o nível de undergroundísse que soa desse álbum. São guitarras monstruosamente criativas que farão você pirar o cabeção e fazer rodinha punk no teu quarto sozinho enquanto tua mãe te observa pela fresta da porta. Tão true como gravar Rocket to Russia em uma cassete e se declarar falso punk. 23 faixas da maior ressaca musical de 2011. “Porra, mas esse bicho é escroto demais, se liga nessa porra ae, caralho!!.”

Destaques: Eles Estão Na Minha Rua, Transpopirações e Vamos Ver o Sol

5) Twerps – Twerps

Um álbum de rock. Poderíamos assim definir o genial début desse quarteto australiano. Indie básico moldado nas bases do senso comum lo-finiano e que remete aos grandes momentos da sujeira rockeira. Sem grandes pretensões, o álbum vai se desenrolando em faixas grudentas como chiclete e que te convidam para uma viagem com poucos mangos no bolso, em que a liberdade e a imprevisibilidade do futuro são seus melhores companheiros. Riffs e letras simples dão a tônica do cd que soa como um sopro de tendências juvenis. Bobagens, amores de novela e promessas de morte por um sentimento tacanha. Em faixas que parecem trabalhar em looping de instrumentos, o vocal de Marty Frawley nos embala com sua voz hipnótica que lembra uma trip de drogas por Nova Orleans. Com tudo isso, Twerps conseguiu o feito de manter a Oceania no top anual, honrando os louros deixados por The Phoenix Foundation. Além disso, bateu Real Estate como o melhor álbum de alt-country simplificado. Uma pena que permaneça tão desconhecida. Mas não é isso que é o bom?

Destaques: Dreamin, Who Are You e Coast to Coast

4) The Pains of Being Pure At Heart – Belong

Se Twerps merece o mérito por ser o álbum da Oceania em 2011, The Pains merece méritos maiores por ter feito o melhor álbum de shoegaze do ano. Em um ano com os excelentes lançamentos de Widowspeak, Pure X, The Horrors (que puta álbum e em que fase inspiradíssima eles estão!) e M83 (o épico), Belong, mesmo assim, se destacou sobre os demais e aqui está em quarto nessa lista. Talvez esse destaque seja gerado pela perfeição com que seu dream pop é executado. Executado de forma refrescante e sensual. Longe das lentidões que caracterizam esse gênero (visto facilmente no ótimo Covered In Dust, Kindest Lines), The Pains continuou na esteira que deu certo no seu primeiro disco. Guitarras distorcidas, caídas com baterias marcadas, elementos eletrônicos impostos de forma perfeitamente premeditados, vocais sussurrados no melhor estilo shoegaze e refrãos popsônicos que saem direto da orelha para a boca. As três primeiras músicas são um soco na cara. Rápidas e de pegadas alucinantes, nos fazem aumentar o volume na primeira ouvida. Três flechas certeiras no coração. Nos cativam e nos preparam para a descida que o álbum sofrerá nas próximas faixas. De forma mais lenta, o álbum é conduzido de forma ímpar, de músicas de ambientes etéreos – Ane With Na E – a um verão californiano na década de 80 – Even In Dreams. Depois das faceiras My Terrible Friend e Girl Of 1000 Dreams, o álbum fecha com mais duas faixas hipnóticas. Mais um puta álbum de uma puta banda que cada vez se destaca mais no cenário alternativo.

Destaques: Heart In Your Heartbreak, Heavens Gonna Happen Now e My Terrible Friend

3) Youth Lagoon – The Year of Hibernation

Difícil falar sobre o que é simples. Difícil falar sobre aquilo que se perde em um abstratismo praticamente indescritível. A genialidade de The Year of Hibernation é trazer à tona sentimentos perdidos em memórias de um passado não renovável através de uma simplicidade de produção única. Simplicidade que não reduz sua música, a qual é feita de camadas densas e minimalismos de toques que a tornam um trabalho impressionante. A voz de Trevor Powers é cantada como um choro de criança que tenta compreender o mundo. De uma criança prendida em um túnel escuro que faz ecoar o pranto de forma distorcida, distante e tenebrosa. Com cara de que foi feito com a mesma habilidade que se zera um jogo no seu Super Nintendo encardido, esse álbum tem o jeito, a textura, o sabor e o cheiro de um quarto escuro, com fios cortando o ambiente, em alguma cidade calorenta do leste desértico e interiorano da Califórnia. Um transbordamento de emoções de nossos bons anos. Emoção genuína e difícil de levar a termo. Emoção que até hoje molda o que somos. Escutar a subida final de Montana é ter a certeza de que Trevor Powers conseguiu juntar toda essa emoção juvenil em músicas de um ambiente desolador, único e nostálgico. E que com isso acabou fazendo um trabalho icônico no cenário indie. É saber que em The Year of Hibernation é onde você encontrará os sentimentos mais puros no meio musical desse ano. Um clássico estadunidense.

Destaques: Montana, Seventeen e July.

2) Fleet Foxes – Helplessness Blues

Para finalizar a lista, duas bandas que conseguiram o que parecia impossível: fazer com que seus segundos álbuns não ficassem devendo aos primeiros, esses já clássicos absolutos. A primeira delas é Fleet Foxes, que mais uma vez nos presenteou com um folk impecável. Soando como uma viagem pelo interior dos Estados Unidos, da gelada costa leste ao selvagem oeste, passando por cânions, pequenas cidades, ranchos, plantações, pântanos, festivais lotados de vaqueiros, paixões deixadas na beira de estrada e encontros com a América do Norte natural e pulsante. Helplessness Blues é uma ode ao sentimento de liberdade que se renova em gerações de descontentes com a sociedade em que vivem e que, com isso, buscam sua verdadeira experiência transcendental em uma viagem pelo coração dos Estados Unidos. É a alma do homem do campo exposto em músicas perfeitamente construídas que nos fazem ser transportados para uma viagem em um trem de carga atravessando as Rochosas. Robin Pecknold traz a essência desse viver desbravador tão difundido e explorado de forma massante pela mídia tacanha. Robin é fruto da contradição de um país que transforma todos em engrenagens e no qual o conclamado ideal de liberdade só pode ser encontrado nas margens dessa mesma sociedade que trata de negá-lo. Liberdade que só pode ser encontrada na fusão do homem com a natureza. Do homem com a terra; com a vastidão a ser explorada. Do homem com as relações cruas que só podem ser germinadas quando as toxidades da vida moderna são purificadas pelo selvagem da liberdade.

Destaques: Helplessness Blues, Montezuma e Grown Ocean

1) Girls – Father, Son, Holy Ghost

De Kanye West a Christopher Owens. De um turbilhão expansivo de apelos midiáticos indecentes guiados por um showman absolutamente genial e megalomaníaco a uma singeleza inocente instrumentalizada em um tímido jeito adolescente sustentado por histórias de romances faceiros e infantis. Esse contraponto entre as duas personalidades musicais de anos que se sucederam serve para contrastar o que Girls e seu líder têm de mais peculiar e melhor. Father, Son, Holy Ghost é o nome do sucessor do clássico début dessa banda, sucessor que cumpriu a missão de não deixar a peteca cair. De forma mais robusta que no primeiro, Chris e Chet exploram uma infinidade de referências da cultura pop e do rock para montarem um álbum coeso que serve como uma lição do que de melhor já foi feito na música popular ocidental de língua inglesa nos últimos 60 anos. Como ponto de giro essencial entre Album e Father, Son, Holy Ghost, encontramos a aproximação perfeita com o rock clássico e pesado dos anos 70, dosada com gotas de progressivo e com um pé no R&B norte-americano, o qual é posto para fora através dos excelentes vocais de apoio que estão presentes durante o álbum inteiro e que ganham destaque nos pontos altos do cd – como a épica subida final de Vomit. Mas apenas juntar referências de tempos passados e produzir um grande álbum é tarefa comum. O salto de mestre do Girls é conseguir montar essa colagem dando um ar de novo para a velha roupa colorida. Através de melodias inovadoras, simples e criativas, reinventam elementos clássicos e os colocam à venda para uma geração que não tem mais saco para ouvir repetições do passado. Tornam acessível e com aparência descolada uma linguagem musical que parecia longe do meio alternativo. Christopher Owens é o místico que encontrou o elo perdido. Father, Son, Holy Ghost é a transcendência de Chris para um patamar além daquele que se encontram seus contemporâneos.

Destaques: Vomit, My Ma e Jamie Marie

Confira a lista completa no link abaixo!

http://www.lastfm.com.br/user/carecavasco/journal/2011/12/30/59mhrp_top_%C3%A1lbuns_-_2011

É isso, que o ano que vem seja tão bom quanto esse! Boas festas e muita música para todxs!!

Anúncios

Sobre Marcos Vinícius

The black sheep boy who dreams of horses. Graduado em Direito pela Universidade de Brasília, secretário parlamentar no gabinete do dep. Chico Alencar (PSOL-RJ) e membro da Esquerda Libertária Anticapitalista (ELA). Um aficionado por música, política e amores anarcotropicais.
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s