No Fone #2

Ipod renovado e tem mais No Fone na parada!

Peter Bjorn & John – Gimme Some (2011)

Cool music for cool people. Peter Bjorn and John nunca esconderam o mote de seu som. Feito do aqui e do agora, a maioria de suas músicas passam voando como esses anos de mundo líquido pós-modernuxo. Em tempos de ultra-velocidade, deixar uma música para a história (Young Folks) já é um marco na concretude do tempo. Gimme Some não veio pra revolucionar o mundo, assim como não vai deixar um hit na história dessa década que começa. Mas não é por isso que o álbum não merece uma ouvida. Pelo contrário, merece várias, ainda mais se você quer ouvir os petardos mais empolgantes desse ano. Com a carro chefe Second Chance, Gimme Some é uma sucessão de efêmeros sucessos pra lá de animados que com certeza podem marcar na sua memória aquilo que vai ser esquecido em pouco tempo.

Ah, o motivo que me fez dar uma second chance para esse álbum. Todas as músicas acompanhadas visualmente. Monstruosamente genial: http://pitchfork.com/tv/special-presentation/1754-peter-bjorn-and-john/

Buffalo Death Beam – Salvation For Ordinary People (2011)

Nas crises pseudo-existenciais, eu me pergunto se eu não deveria ser estadosunidense. Bah, é difícil eu achar ruim uma banda de folk, folk-rock ou alt-country. Daqui a pouco vou sair na rua com minha bota, meu chapéu e minha camisa quadriculada. Esse complexo de inferioridade é foda. Mais papo sério agora. Nessa ânsia de ir atrás de coisas com a cara do interior dos Estados Unidos, deparei-me com um vídeo de Emma Rose no youtube. Era algo único. De uma simplicidade e singeleza que foi impossível não se apaixonar na hora. Chorei litros por três horas até tomar coragem, fechar a janela e ir correr atrás de algo daquela banda para baixar. Foi aí que conheci Salvation For Ordinary People. Ora lembrando Bright Eyes em seus melhores dias, ora se parecendo com The Rural Alberta Advantage, Buffalo Death Beam é imperdível para quem quer se apaixonar pensando nas belezas naturais do meio-oeste norte-americano. Lindo do começo ao fim.

Vídeo de Emma Rose pelo qual me apaixonei: http://www.youtube.com/watch?v=C64opMqv3N4

Lê Almeida – Mono Maçã (2011)

Mono Maçã é o grande álbum da música brasileira desse ano e talvez um dos maiores dos últimos tempos. Chamado de gênio, messias e profeta do apocalipse no underground do mundo internético, Lê Almeida é o cara e o ser solar que esperávamos. Dono de uma gravadora que lança grandes clássicos que o mundo nunca vai ouvir (Transfusão Noise Recordes), esse prodígio resgata o espírito dos anos 90 com todos os seus ruídos e o toque lo-fi que arrepia aqueles apaixonados por moletons, calças folgadas, cabelos grandes e pouca produção. É a volta do sujo em tempos de tanta produção audiovisual reluzente. É o som verdadeiro que seu irmão tira no quarto ao lado. Em 40 minutos temos o correr de 23 faixas em uma velocidade e qualidade guidedbyvoiceniana. De Pavement a Built to Spill, tá tudo ali e cantado em português. Músicas como Transpopirações, Eles Estão Na Minha Rua, Vamos Ver o Sol e Por Favor Não Morra já são clássicos canarinhos. Mono Maçã já é um clássico. Só falta você conhecer. Top 10 do ano, sem dúvida.

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Girls – Father, Son, Holy Ghost (2011)

Sabe quando você está perante um clássico da música? Uma obra-prima? Um álbum absolutamente com tudo para marcar sua #vdm? Pois então, é assim que me senti quando escutei a nova quintessência de Girls pela primeira vez. Hiper hype? Não sei, só sei que o estou escutando neste momento e meu sentimento só está sendo reforçado.

A banda logo mostrou a que veio com o seu histórico début, álbum que esteve entre os melhores de um ano pra lá de excepcional, no qual tivemos maravilhas como “xx”, “Veckatimest”, “Wolfgang Amadeus Phoenix” e “Merriweather Post Pavilion”. Podiam parar por ali que já estava de bom tamanho. Mas não, em 2010 veio um ep excelente e em 2011 o tão aguardado segundo álbum: Father, Son, Holy Ghost.

E é desse último que falamos agora. Desde o lançamento do clip de “Vomit”, um novo burburinho começou a crescer em volta da banda. A música era incrível. Em longos e rápidos 6 minutos e 31 segundos, a voz inconfundível de Christopher Owens viajava por texturas, descidas, subidas, gritos, sussurros, refrões e finalizava com um pedido que ecoa de forma emocionante, tudo isso acompanhado por guitarras que nos remete ao período guerrafrianianosetentista.

Em “Vomit” já observamos uma das tônicas do álbum e que para mim o leva a um patamar diferenciado: a fusão perfeita entre o indie de ipod e o classic rock dos anos 60 e 70. Longe dos modismos dos índios e mais distante ainda daquele rock com cara de vinil brega do seu pai, o álbum consegue fundir o velho e o moderno ampliando o espectro geracional de sua música. Som novo para saudosistas; som velho para hipsters.

E as outras faixas? temos a pageniana “Die”, que vai do ledzeppelismo a uma descida suave que nos lembra um diamante louco que brilha; o carro chefe das FM’s para grudar no seu ouvido “Saying I Love You”, com sua atmosfera de bailinho de encerramento do De Volta Para o Futuro; e abrindo o cd retomando suas influências assumidas dos garotos da praia, Honey Bunny. Tudo isso na primeira metade do álbum!

Na segunda parte encontramos a bateria simples e cativante de “Magic” nos convidando para assobiar; “Forgiveness” que por mesclar passagens calmas com uma posterior explosão de sons resume o álbum perfeitamente; “Love Like a River”, em que o vocal perfeito de Christopher faz a música parecer um clássico perdido da Motown feito para tocar em algum remake indie-cult-bizarro de Meu Primeiro Amor. Por fim temos algo que considero essencial para que um cd se torne um grande álbum: uma faixa de encerramento marcante e que me faz querer colocar o álbum para tocar novamente logo após terminar. “Jamie Marie” cumpre esse papel magistralmente; encerra a altura um álbum perfeito.

Father, Son, Holy Ghost tem tudo para ser o grande álbum do ano. Ao meu ver, dos que foram lançados até agora, somente Helplessness Blues pode concorrer ao seu lado. Ainda não tenho opinião formada, mas como o hype agora está com as Garotas, fico tentado a dizer que o topo do ano está com Christopher. Pelo menos por enquanto!

Recomendado! ninguém pode deixar passar uma pérola dessas!!

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No Fone

Salve, salve!

Sempre tive vontade de escrever sobre bandas que estou escutando em um determinado momento. Louvá-las, amá-las compartilhadamente, xingá-las e assim vai. Tendo isso em vista, pretendo começar a fazer isso aqui no blog. Além disso, esses textos serão uma forma de movimentá-lo um pouco, já que geralmente ele fica bem parado em tempos de aulas.

Então vamos lá!

Portugal. The Man – In The Mountain In The Cloud (2011)

Não conheço nada parecido e tão impressionante: 7 álbuns em 6 anos, sem contar os 5 ep’s. E o melhor, o nível nunca decresceu. Neste ano, mais uma vez eles mostraram que nem sempre qualidade está associada a um longo tempo de trabalho. Após o excelente American Ghetto (2010), no qual a música eletrônica foi explorada, P.TM volta a suas origens. Guitarras grooveadas, psicodelia moderada e os vocais típicos do “progressivo” indiano modernuxo. Finalmente em uma grande gravadora, notamos uma maior aproximação com o pop, o que torna o álbum de uma radiofonia incrível. Deixe que os refrões fiquem na ponta da língua e seja feliz. Com certeza vocês não devem vê-los nas listas de final de ano, mas mais uma vez trilharam o caminho certo.

Belle & Sebastian – Dear Catastrophe Waitress (2003)

Não pode começar a tocar o riffzinho de If She Wants Me que eu já me arrepio. Talvez esse seja um dos meus álbuns favoritos de todo o sempre. Pra mim, Belle & Sebastian é a banda prefeita do nosso mundo indie querido. Nunca fez lá grande sucesso, tem um clássico absoluto em qualquer instância (If You’re Feeling Sinister), é cheia de álbuns (o que dificulta muita gente conhecer tudo da banda haha) e fez a mistura perfeita entre o novo e o velho. Em DCW é talvez onde começa a maior abertura do som, no qual há uma aproximação mais clara da coloração sessentista com influências beach boysianas e seu pop barroco. Apaixonante. Uma carta de amor. Letras inspiradas, encaixes perfeitos e um brilhantismo sonoro orquestrado de forma única. Uma verdadeira obra de arte. Um tiro certeiro no coração.

Yuck – Yuck (2011)

“Caralho, essa banda é muito louca”. Reação de um parceiro ao ouvir “Get Away”, primeira música do début dessa banda inglesa que nos faz lembrar nossos queridos anos 90.
Pavement, Built to Spill e Dinosaur Jr. reverberam nas guitarras distorcidas, no som com aparência de mal captado e os vocais baixos com cara de gravado ali no quarto de dispensa. O som sujo nem de perto lembra o indie pop fofo feito por parte de seus membros no Cajun Dance Party (outra banda linda), pelo contrário, nos remete a uma garagem suja e adolescentes espinhudos descobrindo seus primeiros pedais. Nem as viagens mal colocadas e, às vezes, monótonas atrapalha esse que com certeza é um dos grandes álbuns do ano. O neopavementianismo está com tudo!

Em breve mais! xD

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2011 em 11! (2º terço)

Salve, moçada!

Continuando a ideia desse post 2011 em 11! (1º terço), mais 11 músicas “quentinhas” que você já deveria ter escutado!

Aumento o som!

Letting Up Despite Great Faults – Teenage Tide

Cults – Abducted

The Antlers – I Don’t Want Love

Death Cab For Cutie – You Are A Tourist

Low – Try To Sleep

Smith Westerns – Weekend

Lê Almeida – Por Favor Não Morra

Wild Beasts – Albatross

Arctic Monkeys – The Hellcat Spangled Shalalala

The Decemberists – This Is Why We Fight

Connan Mockasin – Forever Dolphin Love

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A verde e amarela não é mais nossa

Mais uma Copa América chega ao fim. Uruguai campeão e uma festa linda que há muito tempo não se via por causa de uma seleção nacional, excetuando no caso de comemorações pós finais de Copa do Mundo. Sob um frio mortal, a cena de 50 mil pessoas esperando no Centenário é algo de encher os olhos de qualquer apaixonado pelo esporte bretão. Apoteose merecida para uma seleção que resgatou a história charrúa e recolocou a Celeste no lugar do qual nunca devia ter saido.

Nesse mar de fatos épicos e ao desenrolar dessa história, uma dúvida me acometia: e se fosse nós? comemoraríamos com tamanha intensidade? ou melhor, comemoraríamos? haveria motivo para se comemorar?

Não sei, mas para mim as respostas a essas perguntas são quase óbvias: não comemoraríamos; não teríamos motivos para comemorar. A verdade é que há muito tempo se perdeu o sentimento de afetividade em relação ao esquadro nacional. Pelo contrário, noto um desprezo, uma antipatia e um “não ligo” direcionados à seleção canarinho. De onde vem tais comportamentos é difícil dizer, mas me arrisco a chutar algumas hipóteses.

Diferentemente do que a patota da imprensa marrom tenta afirmar, creio que esse alijamento da população em relação à seleção se dá muito menos pelo que acontece dentro de campo, mas sim pelo que acontece fora dele. Sinto que a verde e amarela não é mais nossa, do povo. Pelo contrário, ela é de alguns, de poucos que dela fizeram para satisfação de interesses pessoais. Que a transformaram em um simulacro para dela fazer uma imagem afastada de sua história. De poucos que se apropriaram do discurso ufanista e nacionalista para fazerem uma seleção privatizada e com interesses escusos.

A seleção não é nossa, é de Galvões, da imprensa, de Teixeiras, da corrompida CBF, de presidentes de clubes e de empresários. Quando ela joga, não é para nós, é para eles. É uma seleção que não se dá ao trabalho de jogar na sua própria terra; é uma seleção que desconhece a Granja Comary; é uma seleção que desconhece o contato com o brasileiro; é uma seleção que desconhece a entrevista que não seja vendida, exclusiva, enviesada e feita para as grandes emissoras; é uma seleção que só joga para quem paga, e paga bem.

Não é questão de raça -afinal, tivemos Dunga há pouco tempo-; não é questão do time que entra em campo -afinal, é praticamente esse o time que querermos, e essa questão nunca é passível de unanimidade-; não é questão de futebol bonito -será que esse discurso assumido pela mídia condiz mesmo com a realidade?-. É questão de pertencimento, de identidade, de se sentir representado. De poder falar que essa seleção é a minha, a nossa seleção.

Distante da sua realidade, a seleção brasileira se afasta até mesmo no discurso. Poucos são aqueles que falam e podem falar dela. Poucos, mas que se dizem falar no nome de muitos; falar no nosso lugar. Discurso ilegítimo que quebra a representatividade. Discurso que se apropria de uma tradição histórica para ser exercido por poucos e para subverter aquela própria tradição. Discurso que se pretende público, mas que no fundo é privado.

Como apaixonado por esse esporte, é triste ver que estamos perdendo uma chance histórica para resgatarmos o orgulho da seleção como aconteceu na Alemanha e África do Sul, mesmo que coloquemos na balança todos os malefícios da Copa em um país, principalmente no caso sul-africano. Mas vamos mais longe, além de repetirmos os mesmos erros desses outros países, os aprofundamos ainda mais. Não só a seleção foi instrumentalizada, a Copa de 2014 está indo no mesmo sentido.

Mais uma vez, e como sempre, aquilo que é vendido como de todos satisfaz apenas poucos. A crise de legitimidade é patente, ainda que camuflada e subvertida no ufanismo enlouquecido de um Galvão Bueno.

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2011 em 11! (1º terço)

Se você não as ouviu, 11 músicas desse ano que você já deveria ter escutado! aumente o som!

The Pains Of Being Pure At Heart – Heart In Your Heartbreak

Fleet Foxes – Helplessness Blues

The Vaccines – Post Break-Up Sex

Toro y Moi – New Beat

Lykke Li – Youth Knows No Pain

Telekinesis – Please Ask For Help

Gil Scott-Heron & Jamie xx – I’ll Take Care of You

Rise Against – Satellite

The Dodos – Black Night

Panda Bear – Slow Motion

Destroyer – Chinatown

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The National. Um Apanhado de Tudo

Acho que todos devem ter uma ou algumas bandas de cabeceira, daquelas que nós sabemos a discografia todinha e que sempre nos emociona de um jeito único. Mesmo sendo difícil estabelecer uma única banda entre aquelas minhas favoritas, até porque eu considero o Olimpo como algo mutável, com certeza The National sempre figurou entre aquelas que mantenho uma relação especial.

Lembro até hoje os primeiros contatos com Boxer e Alligator. Era apenas mais uma banda no meio dos cds do meu irmão, e sem dúvida não estava entre aquelas que mais me chamaram atenção. Não me lembro se era a voz, a falta de “radiofonia”, a lerdeza ou o instinto. Pouca coisa me agradava. Lembro que o Alligator estava em ordem alfabética e por isso começava com Abel. Lembro também que eu pensava: que porra de música é essa? chata pra cacete. Haha, logo ela que hoje é uma das minhas músicas preferidas de todo o sempre.

De lá pra cá muita coisa mudou. A cada nova chance que eu dava, mais The National crescia em mim. Fui descobrindo formas de amar essa banda, e o amor me impressionava a cada detalhe não percebido, a cada novo sentimento, a cada momento marcante no qual músicas como “Slow Show” ou “All The Wine” tocavam como trilha-sonora. Idas e vindas, o certo é que The National nunca mais deixou de ser parada obrigatória na minha vida.

Como ponto certo, virou banda para todo momento. Para escutar quando a criatividade cansa, para escutar quando o amor veio e se foi, para escutar quando bate aquela saudade, para escutar quando se quer chorar, para escutar quando se quer sorri. No carro, no quarto solitário, no fone de ouvido andando por aí, na cama de olhos fechados, com os amigos. Gritando, refletindo, cantando, acompanhando, no violão, nos pés, nos pulos, no se joga, nas lágrimas. The National virou parte da minha vida, virou sentimentos pessoais em forma de música. Virou uma “abstração concreta” que mistura o passado, o presente, o futuro, tristezas e alegrias em ondas sonoras. Virou mito e parte da minha identidade.

Por ser uma banda tão importante pra mim e estarmos perto dos shows deles aqui no Brasil, senti-me na vontade de fazer esse apanhado de toda discografia, com “breves” comentários pessoais sobre cada álbum ou ep. Talvez um guia, talvez uma extravasar de sentimentos ou talvez apenas capricho de querer escrever aquelas besteiras que ninguém liga. Não sei, mas vamos lá que o tempo urge!

The National (2001)

as

Já fazem quase 10 anos do début, tempo que mostra como o passar dos dias é muito bom para certas coisas. Assim como tive dificuldades de assimilar vários elementos da sonoridade da banda por talvez uma falta de maturidade, tomo esse álbum como o início de uma experiência que precisava ser testada e experimentada, e que por isso ainda estava muito cru para desenvolver todo seu potencial. Muitas coisas ainda não casam bem, parecem deslocadas ou mal explicadas. Mas isso não chega a atrapalhar o ótimo trabalho desenvolvido. Ainda pegado no folk e no alt-country, estilos dos quais eles vão se distanciando claramente no decorrer da carreira, o álbum é uma boa dose de som interiorano e rústico dos Estados Unidos. Nele nos deparamos com pérolas como The Perfect Song, American Mary e 29 Years (música que serve como prelúdio de Slow Show). Mas ainda mais próximos de um Okkervil River do que do The National atual, esse álbum definitivamente não ficaria na memória de muitos caso a banda terminasse nele mesmo.

Sad Songs For Dirty Lovers (2003)

as

Wow, que diferença podemos ver aqui em relação ao primeiro álbum! A banda começa a se encontrar, começa a realocar acertadamente os exageros e a explorar, de forma coerente, o seu potencial. Não considero SSFDL como o álbum paradigmático da banda, título que reservo ao Alligator, mas nele já podemos reconhecer a banda dos três álbuns posteriores. A temática folk e alt-country permanece praticamente intacta, apesar do acréscimo de novos elementos. Abrindo com a belíssima Cardinal Song, o álbum é recheado de sucessivos petardos, como Slipping Husband, It Never Happen, Fashion Coat e Lucky You. É também neste álbum que o reinado de Berninger começa a ser visualizado. Dono de uma voz e de um sentimentalismo ímpares, o casamento entre público e banda passa ser montado por uma textura de sensações comuns e relacionais. A revolução sonora ainda não começou aqui, mas a emotiva sim. A identificação entre o que ele canta e a nossa vida pessoal, uma das características mais fortes da banda, será o mote daqui pra frente. Os problemas dele são nossos problemas. Só podemos dizer isso pra ele “You own me, there’s nothing you can do”.

Cherry Tree (2004)

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Esse ep é uma preciosidade. Tão curto, mas tão denso e contagiante. O último passo antes da transição. Aqui eles estão no auge dos estilos mais presentes nos dois primeiros álbuns. Wasp Nest e Cherry Tree são fantásticas e donas de um sentimento soturno, desesperador e, ao mesmo tempo, renovador. Ainda sobra espaço para uma das minhas músicas preferidas de toda a carreira da banda, e que voltará a aparecer no Alligator, All The Wine, e para a soberba All Dolled-Up In Stars. Perto do fim uma versão ao vivo arrasadora de Murder Me Rachel. Pequeno, mas com força de álbum.

Alligator (2005)

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Podemos dizer que é aqui que tudo começa. A bateria militar e extremamente criativa, riffs cortantes e mnemônicos, baixo mais dominante, a voz pesada assumida, o ritmo quebrado constantemente e tudo mais que vai fazer parte das características da banda daqui pra frente. Ainda com um pé no folk e no alt-country, neste álbum o The National começa a se aproximar de uma sonoridade mais parecida com o post-punk, fazendo uma mistura positiva que representa um salto de qualidade em todos os sentidos. Radiofônico, Alligator é talvez o álbum que mais trouxe os olhos de novos setores de ouvintes para o som produzido pela banda. Como verdadeiro semeador, ele tratou de angariar novos fãs e novas mídias, servindo como verdadeira base sólida para que o The National extrapolasse o pequeno mundo em que vivia. Em uma nova gravadora, com críticas positivas de grandes meios de comunicação, prêmios, turnês grandes e todos aos seus pés, Alligator não representa só uma mudança de som, mas também o pulo do The National para a consolidação como uma das grandes bandas da década.

Boxer (2007)

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Na ânsia de produzir o álbum seguinte sempre melhor que o anterior, The National tinha uma missão árdua pela frente. Para barrar Alligator, Boxer teria que ser um clássico, um álbum único e genial. Difícil, praticamente impossível. Mas eles conseguiram. Clássico, genial e único. Clássicas, genias e únicas são todas as músicas deste que é melhor álbum da década passada, na minha opinião. Abrindo com Fake Empire, a banda mostra que aqui eles não precisam provar mais nada para ninguém, muito menos tentar ampliar o público por meio de uma “popularização” do som produzido. Com uma maré favorável produzida por Alligator, The National estava mais livre do que nunca para fazer o que eles quisessem. Pesado, soturno, hard-listening, estranho e com pouco apelo para os rádios, Boxer é quase um paradoxo quando se coteja essas características com o sucesso que gerou. O post-punk revival é assumido como característica primordial da banda, no qual a bateria, às vezes tímida nos primeiros álbuns, ganha destaque e toma conta como o instrumento mais genialmente trabalhado. Músicas como Mistaken For Strangers e Brainy são aulas de um casamento perfeito entre guitarra e percussão. Outro fato notório é o trabalho que a banda tem em criar uma atmosfera peculiar para cada música, com sons grandiosos e cheio de camadas, as faixas vão se sucedendo e a imersão sendo ampliada. Espaço etéreo cortado por batidas que lembram tambores militares, como em Squalor Victoria. No meio de tudo isso, ainda sobra espaço para Slow Show e Apartment Story, talvez as minhas músicas preferidas da banda. A primeira, retomando a temática de 29 Years (faixa do primeiro álbum), faz um retorno de mestre e serve como marco para mostrar como a banda cresceu ao longo dos anos. Já Apartment Story conglomera todas as características do álbum em 3 minutos e 33 segundos. Bateria, atmosfera ímpar, Berninger apaixonante e letra mais do que foda. Brilhantes. Por tudo isso, Boxer é parada obrigatória na música da década passada.

The Virginia EP (2008)

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O EP após o nome é para deixar claro, isso não é um álbum, não o tratem como um álbum. Retomando passagens anteriores ao Boxer e mesclando-as levemente com as inovações produzidas até agora, The Virginia EP serve como uma pausa nas pretensões da banda, uma tomada de fôlego após uma corrida incessante em busca da perfeição. Sem os objetivos de um álbum, apesar do número de faixas (!), o ep é um sentar na cadeira ao fim da tarde para abrir aquele álbum de fotografias. Relembrar o passado e momentos esquecidos, um resgate do que já fizemos para reorganizar as idéias. O pensamento derradeiro antes do retorno para casa. You’ve Done It Again, Virginia; Santa Clara; Without Permission; e Tall Saint são passagens que, como b-sides, atuam bem nesse resgate do que o The National foi, é e pretende ser.

High Violet (2010)

as

O que foi dito nas primeiras linhas de Boxer também pode ser falado aqui. Com a missão mais do que complicada de suceder um clássico, High Violet teria que amplificar e aprofundar todos os acertos produzidos pela banda até então. E foi justamente isso que aconteceu. Seguindo no som peculiar e característico de Boxer, o álbum de 2010 ratifica o caminho traçado pela banda no decorrer dos anos. Com toda a bagagem adquirida, The National fez de um álbum extremamente difícil aos ouvidos um sucesso de público e crítica por reunir uma série de qualidades que só o tempo é capaz de criar. Seguros de si, a banda alcançou uma maturidade combinada com um vigor invejável. Mais uma mudança de gravadora e a produção disponível ficou ainda mais grandiosa, fato notado pelo trabalho belíssimo produzido em cada faixa. Nota-se a dedicação e o esforço quando percebemos que o álbum não contém uma única falha, não resta uma aresta a ser aparada. A ambientação épica talvez seja a característica que mais chama a atenção. Muitas vezes só identificamos a bateria, Beringer e uma série de sons combinados de forma indecifráveis. Pelas letras, tenho esse álbum como um retorno para a casa, mas como todo regresso, voltamos diferentes. E que diferença esses anos fizeram para o The National. De uma banda alt-country comum a uma das bandas mais aclamadas dos últimos anos, dona de um som único e marcante, fato extremamente difícil nesses anos de disseminação da informação e pluralização das mídias. Que diferença entre a ingênua Beautiful Head e a angustiante Vanderlyle Crybaby Geeks, entre a clássica American Mary e a nova clássica Terrible Love, que tirou o posto de Fake Empire como melhor introdução e dona do som mais diferente em toda carreira da banda. O que dizer de Afraid of Everyone e sua letra mortal que nos faz cantar e chorar, de Bloodbuzz Ohio com sua bateria, toque pop e Berninger definhando, da chiclete Anyone’s Ghost ou de Runaway e sua circularidade dilacerante. High Violet é a perfeição para o The National, é mais um desafio vencido. É Berninger assumindo que nunca resolverá seus problemas e aumentando, por isso, a identificação entre nós e ele. É o The National no seu auge. Se Boxer virou um clássico, High Violet fez de The National um clássico.

Por fim, fica o filme A Skin, A Night, de Vincent Moon, sobre a gravação de Boxer. Fantástico e com um clima espetacular, ele mostra a intimidade da banda e partes do processo de elaboração do álbum. Com uma fotografia fantástica, é mais um convite para entrar na intimidade da banda e conhecer um pouco mais desses que são senhores do nosso tempo. Destaque para a feitura de Slow Show e o fim animal com uma versão ao vivo de About Today.

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