#1 L’Album: Death Cab For Cutie – Plans

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Eu já estava matutando tem algum tempo sobre esse post. Um álbum. Algum álbum que definisse parte de minha vida e que fosse representativo para iniciar uma lista de cds que fossem importantes para alguma parte da história da música, ainda que seja música sucata. Pensei. Pensei em Silent Alarm do Bloc Party, por toda sua identidade, a qual mistura o melhor do indie da última década com o eletrônico e o post-punk no meu álbum da década passada; pensei em Is This It do Strokes, álbum que possui as músicas que nos fizeram usar calça skinny, camisas pp e roupas descoladas com ar de contestador e que está fazendo 10 anos; pensei em Menomena com Friend and Foe, meu álbum preferido de todo o sempre, o qual carrega um ar de desconstrutor justamente por pegar o indie mainstream e aplicá-lo a um experimentalismo único com doses de jazz e progressivo; ainda pensei em Pet Sounds dos Beach Boys, álbum paradigmático que me fez abrir os sentidos para a música.

Não, nenhum desses. Talvez os últimos dias acabaram mudando a minha opinião. Talvez os últimos dias clarearam algo que estava travando esse post. Talvez os últimos dias foram uma junção de fatos que mostraram como alguns aspectos da minha vida são importantes para o que eu sou hoje. Um verdadeiro resgate histórico de partes do meu passado que ajudaram e ajudam a construir o que sinto e vivo hoje. E para isso existe um álbum. Um álbum que sintetiza os meus últimos anos e resgata retroativamente toda minha vida. Esse álbum é Plans do Death Cab For Cutie.

Plans, como todo álbum do DCFC, já começa nos tocando e emocionando com sua faixa introdutória Marching Bands of Manhattan. Devagar devagarzinho a música vai ganhando corpo até terminar em um único toque abrindo para Soul Meets Body, que é a principal radiofonia do cd. De construção e acompanhamento fáceis, a faixa nos convida para embarcar de vez no álbum. Quem não cantar o final é pelego é não merece um centésimo do dizimo indeano.

As músicas seguem. Baixos lascados e pegados e uma batera ritmada ao fim em Summer Skin. O piano mnemônico e a voz de Ben nos toca de vez em Different Names For The Same Thing. Não sei o que acontece, mas a parada, que nos leva a virada, é, para mim, a parte paradigmática desse álbum. Dali para frente, minha, tua e nossa vidas nunca mais serão como eram. Quem prestou, sabe. A repetição é só um efeito para te desprender sem traumas. Cada passo. Cada passo de cada vez.

A gagueira não para. E vem. Vem aquele violão iniciando em ré menor. Quem poderá esquecê-lo. É a música dos apaixonados dos 2000’s. É a música daqueles que foram emos com classe. Daqueles que não vestiram all-star surrados para ter direitos a chorar por amores perdidos e brigas com a mãe. IWFYITD é a música dos índios que procuraram alguma emoção nos letreiros de motel das rodovias. É a música daqueles que tiveram verdadeiros amores não mortificantes. É a música daqueles que amarão. Amarão em potência. Ainda que seja sempre em potência. Ainda que seja potência. Potência essa que persegue e abre possibilidades. Mas não fecha o amor não atingido. Mas porque não atingível?

Mais duas músicas. O álbum continua nos apaixonando. Mais duas músicas de uma sensibilidade única. Com caídas “pianizadas” e guitarras de fundo para acompanharem um vocal bem encaixado e dilacerante. You’ll be loved you’ll be love, like you never have known. Quem nunca cantou, retire-se.

Vem Crooked Teeth para alegrar nossos corações. Um pop antes do fim das nossas vidas em forma de álbum.

Vem What Sarah Said. O Death Cab mostra como um piano ajuda a construir uma puta bateria criativa. Ainda que repetitiva, ela conduz a música de uma forma singular e que nos penetra permanentemente. De uma forma que poucas baterias fizeram em todos os tempos. E isso é sério e se aplica para o álbum inteiro. Por, um quase, fim vem uma introdução de piano + bateria de quase um minuto e meio. Por analogia invertida, versos esparsos servem como explicação de uma relação mal-feita, ainda que perfeita. Dois amigos que viviam, ainda, como irmãos. Dois amigos que viviam, agora, como irmãos.

Stable Song. Letra genialmente simples. Simples genialmente. Simples. Genial. Delas nos resta dizer que não vamos ligar. Mas não vamos ligar para o quê? Difícil responder depois desse turbilhões de emoções…difícil responder depois que haverá a primeira de muitas repetições.

 

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Sobre Marcos Vinícius

The black sheep boy who dreams of horses. Graduado em Direito pela Universidade de Brasília, secretário parlamentar no gabinete do dep. Chico Alencar (PSOL-RJ) e membro da Esquerda Libertária Anticapitalista (ELA). Um aficionado por música, política e amores anarcotropicais.
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