Sai da Rede – 3ª Semana e Comentários Finais

Salve, camaradas!

Atrasadíssimo, mas o post sobre o último fim de semana do Sai da Rede saiu!

E que fim de semana, com certeza os dois últimos shows estão entre os melhores do festival. Um festival que com certeza vai deixar saudades. Eu já estava acostumado a me preparar ao cair da tarde para pegar a L4 e correr para o CCBB, e lá chegando ver gente antenada e que curte uma boa música. Mais uma amostra de que Brasília tem palco sim para esse tipo de evento; que nós não nos resumimos aos sertanejos e aos axés da vida; e que shows diferentes não precisam se privar a projetos financiados pela Lei Rouanet e palcos “fora do eixo” para que as coisas dêem certo, muito menos serem compensados por preços exorbitantes nos ingressos.

E sim, talvez aí esteja uma das únicas críticas que tenho a fazer sobre tudo isso. Não é nem de perto uma crítica ao festival, mas sim a “indústria” e a “mídia” da música brasileira em si. Sinceramente, me dói ver tanta gente foda dessa nova geração tendo que se contentar com festivais como o Sai da Rede para poderem mostrar seu som e sua cara; me dói ver a unilateralização das mídias de massa para apenas alguns tipos de nichos musicais e artistas; me dói ver uma geração de ouvintes sendo jogada no lixo justamente por se contentarem com essas mesmas mídias de massa ou, pior, por ela ser influencida na hora de montar seu discurso “antimúsica brasileira”; me dói ver shows com palco para abarcar toda uma juventude tendo que se espremer em um anfiteatro muito mais feito para eventos “caxias” e certinhos.

Um exemplo dessa última dor foi o que aconteceu no último domingo. João Brasil bombando no palco, porém muita gente, que não conhecia o cara, saindo mais cedo da sala (no mínimo devem ter pensado que era algum neoconservador dando uma “nova roupagem” aos sambinhas do tempo do dunha e não acrescentando porra nenhuma a porra nenhuma, pois é a isso que se resume boa parte da nossa música que está no “mainstream do alternativo” e que faz a cabeça dos “pseudosmanjadores”). Pasmem, havia gente pedindo para sentar (estes pelo menos ficaram, e eu adorei vê-los ali curtindo na sua forma). Pior que eles não estavam errados. Ali não era lugar de ficar em pé. Mas por outro lado, ali, de certa forma, não era para ser o único lugar que deveria estar gente como Tulipa Ruiz, João Brasil, Instituto e todos os outros. Era para ser mais um, apenas mais um lugar entre vários outros.

Por uma democratização da música brasileira em todos os sentidos. O Sai da Rede ajudou bastante com a oportunidade que deu e serve de forte exemplo. Mas que aqueles músicos que estiveram lá, tenham oportunidades para não ficarem apenas em “sais da rede” ou outros minianfiteatros da vida. Música se faz na rua, com o povo da rua. Música precisa de espaço para crescer e se manifestar. Precisa de espaço para influir na realidade. O que vemos hoje é uma diminuição desse espaço justamente por quem deveria abri-lo. O CCBB fez sua parte, e está de parabéns com todos os méritos. Pela democracia e pelo pluralismo musical, nesse sentido todos devemos lutar.

Agora chega de delongas, vamos aos show (ficarei devendo o show do Letuce. O perdi para uma apresentação de trabalho tentando compatibilizar Habermas e Foucault. Que merda, eim. Eu sei).

Sábado (22/01) – Tulipa Ruiz

Um exemplo de tudo o que eu disse ali em cima foram os shows da Tulipa Ruiz. Sim, foram dois! Pela enorme demanda, o CCBB e a artista resolveram fazer uma sessão extra justamente para não deixar muita gente chupando dedo. E era muita gente mesmo. O primeiro show da noite, que era o “extra”, lotou. E lotou apenas tendo divulgação pelo twitter e em poucos outros locais. O segundo, mesmo com o esquema de liberar mais 50 cadeiras, deixou gente de fora (pelo menos pelo volume da fila que pude ver ao sair do primeiro show).

E a Tulipa merece demais. Dona de um dos melhores álbuns de música brasileira de 2010 (quem não escutou, já passou da hora de ouvir, como diria Isaar haha), ela fez um show irresistível e impecável. Mesmo ela afirmando estar nervosa “como há muito não ficava”, tudo saiu definitivamente belo e perfeito como está no cd. Na minha opinião, sua voz consegue ficar mais potente, cativante e arrasadora ao vivo do que no álbum. E foi uma gratificação imensa ver um dos artistas que mais admiro dessa geração atual ali bem pertinho de mim. Passei 2010 escutando Efêmera, e escutar ao vivo todas aquelas canções que tenho na ponta da língua me fizeram passar por uma imensidão de sensações e prazeres indescritíveis.

Pessoalmente, pra mim foi o melhor show do festival. Talvez essa consideração seja pela minha relação com a artista. Mas músicas como Às Vezes (encantadora. Nos dá a impressão de que é fácil fazer música), Efêmera (abre o álbum de forma excelente) e Aqui (animal, só isso que tenho para falar dela) já se tornaram clássicos pessoais pra mim. Escutar elas novamente me remeterá pra sempre àquele sábado pra lá de especial. Ainda tinha muitas coisas para falar do show (como a dor de olho fodida pela qual eu estava passando ou como a voz de Tulipa deixou a platéia suspensa em ares divinos no fim de “Do Amor”), mas paro por aqui, senão começa a ficar massante e piegas demais haha. Obrigado Tulipa, obrigado CCBB e obrigado música brasileira.

Domingo (23/01) – João Brasil

Para quem não conhecia o dono do projeto mais fantástico do ano passado (365 mashups. Sim, um mashup por dia!), bastava dar uma olhada na platéia antes do show para ver que algo diferente iria acontecer ali. A reunião do povo mais descolado e hipster de Brasília devia ser ali e ninguém avisou haha. Quando as cortinas abriram e as meninas do Sapa Bonde paradas a lá estátuas foram desveladas, alguém perto de mim falou “caralho, animal pra caralho”. Porra, isso resume o show desse gênio dos mashups, da desenvoltura, da mistura e do bom gosto (sim! haha). A abertura com o funk esculachomesmo-lésbico das já citadas meninas foi um verdadeiro chute na porta e um foda-se bem alto.

Aliás, importante citar o que aconteceu antes mesmo do show começar: uma voz safada (de quem será? haha) pediu pra todo mundo ficar de pé, porque aquilo não era um show, mas sim uma festa. Todos obedeceram imediatamente, e nem a posterior ordem dos bombeiros (!) fez a muvuca armada diminuir. Foda.

E o show? ou festa? porra, foi animal pra caralho mesmo haha. Sinceramente, ouvir The xx misturado com Bonde do Tigrão numa perfeição sincrônica e de finesse é algo que arrepia os cabelos de qualquer um. Passando por clássicos do mundo alternativo e por clássicos do mundo do funk, aquilo foi uma bomba de gás para o domingo de qualquer um. Um verdadeiro nitro temperado com as presenças fodas do já citado Sapa Bonde e de Marina Gasolina (banho de luxo e riqueza no palco hahaha) e Gaby Amarantos (Pará em peso e foda!). Showzaço. Fechou com chave de ouro esse projeto animal. Muito bom mesmo.

É isso galera, quase choro quando penso que acabou. Agora é esperar pela próxima e conviver com a porrada de sensações boas criadas em mim por este festival! Um salve para a nossa música!!

Um abraço e até a próxima!


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Sobre Marcos Vinícius

The black sheep boy who dreams of horses. Graduado em Direito pela Universidade de Brasília, secretário parlamentar no gabinete do dep. Chico Alencar (PSOL-RJ) e membro da Esquerda Libertária Anticapitalista (ELA). Um aficionado por música, política e amores anarcotropicais.
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