Sai da Rede – 2ª Semana

Salve, camaradas!

Mais uma semana de Sai da Rede, mais uma semana de CCBB e mais uma semana de muita sonzera! Seguindo o esquema iniciado na semana passada, o projeto não deixou a peteca cair e nos presenteou com mais três showzaços. Num brinde à nossa música e à pluralidade, o palco recebeu a presença de uma variedade imensa de sons e estilos, do prog ao hip-hop, passando pelo rock n roll cueca, tudo isso temperado com o sangue brasileiro para dar aquele gostinho especial.

Vamos aos shows!

Sexta-feira (14/01) – Burro Morto

Entraram calados, saíram mudos. Poucas palavras foram trocadas com a platéia. Muitas delas nos mal entendemos. Não fez mal, fez bem. Reforçou o clima criado. Uma atmosfera densa e pressionante pairava no ar. O show era instigante, profundo e penetrante. Não dava para piscar. Uma viagem foi armada ali na nossa frente por aquele grupo de barbudinhos. Viagem que tinha uma trilha sonora calcada na melhor base do progressivo psicodélico, mas sem pecar nos excessos tão comuns a este gênero.

O ambiente sonoro produzido é até difícil de descrever, a guitarra cortavam os ares; a bateria arrepiava em uma série de batidas inventivas e contagiantes, o baixo nos convidava a levantar numa marcação ora funkeada, ora jazzeada; o teclado dava o ar pop e atiçava nossa memória com uma sonoridade amistosa e pegajosa; e uma percussão pra lá de recheada completava de forma espetacular toda a estrutura já armada. Em meio a tantas subidas e descidas, depois de construções e quebradas, ainda sobrava espaço para os toques leves e delicados de uma guitarra que me lembrou até de The Whitest Boy Alive (sim! haha). Descrição abstrata demais? sim haha, mas reflete um show intrincado, áspero e estupendo. No fim os barbudinhos foram embora deixando nossas mentes muito mais expandidas e doidas pela próxima vez.

ps:foto da passagem de som, não achei nenhuma do show. =/

Sábado (15/01) – Lulina

Depois da soturnidade de sexta, o que eu mais queria era um show leve e fofo para reequilibrar as emoções. Nada mais adequado que Lulina. Com sua guitarra quadrada e seu lindaço vestido dourado, logo a menina lá do palco já conquistava a platéia. Com seu rock simples e direto, recheado por letras pra lá de cômicas, era o programa perfeito de sábado à noite. E foi. Com uma banda pra lá de divertida, o show foi quase um sitcom musical.

Rondando por boa parte de sua extensa carreira, mas com base maior no excelente Cristalina, o show que tinha como uma das intenções o contato mais próximo com o público, demonstrou que este já estava louco pra ver essa moleca faz tempo. Toda hora pipocava alguém na platéia pedindo alguma música, e que por incrível que pareça sempre estavam fora do setlist. No fim, a saída para o bis foi esquecida, justamente para que os pedidos fossem atendidos. O público se derreteu de amores. O encerramento com Jerry Lewis, uma das pedidas pelo público, serve como resumo show. Acho que não teve uma única pessoa que não saiu do show mais leve e com uma boa “faxina no juízo” haha.

Domingo (16/01) – Instituto

Opa, e aí chegamos ao primeiro candidato de melhor show do festival, e quem sabe um dos melhores shows que eu irei este ano. Talvez só o esperado show da Tulipa consiga rivalizar haha. Animal, é a palavra mais adequada para adjetivar o que aconteceu neste domingo lá no CCBB. De todos os shows, talvez o que mais se incompatibilizou com o local foi este (e olha que poucos caíram bem para o local haha, mas disto falarei no último post), mas isso não foi problema nenhum. O anfiteatro ferveu literalmente com o swing e sagacidade da banda, e, no fim, ficar sentado foi considerado quase um sacrilégio. Quase em uma transe coletiva, a platéia saiu de alma lavada e renovada para mais um começo de semana.

Transformado em um verdadeira festa, o CCBB quase veio abaixo quando Emicida entrou no palco. O rapper já chegou naquele patamar em que só sua presença já é o suficiente para inflamar qualquer ambiente. E ele estava em uma noite inspiradíssima (e ele já não esteve em uma?), nos embasbacando com sua rima natural e cortante que nem navalha. Em um momento de pura maestria, ele foi rimando com qualquer objeto levantado pela platéia. Animal, novamente. Acompanhado do espetacular Kamau, que conduziu o show até sua entrada, e do simpaticíssimo e engraçadíssimo Funk Buia, o palco ficou pequeno para tanto talento e arte. E eles não tinha combinado o bis, e que impasse gostoso isso gerou haha. Acostumada ao repeteco e delirante pelo show, a platéia não tirava o pé até que a banda voltasse para o palco. E voltaram. Com Emicida na platéia e Kamau sentado à vontade no palco, fecharam animalmente este show animal. O melhor até agora.

E semana que vem, o que rola?

21 de Janeiro, Sexta – Letuce (infelizmente estou achando que não poderei ir =/)
22 de Janeiro, Sábado – Tulipa Ruiz
23 de Janeiro, Domingo – João Brasil

Aquele abraço e uma ótima semana, nos vemos no CCBB semana que vem!


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Sobre Marcos Vinícius

The black sheep boy who dreams of horses. Graduado em Direito pela Universidade de Brasília, secretário parlamentar no gabinete do dep. Chico Alencar (PSOL-RJ) e membro da Esquerda Libertária Anticapitalista (ELA). Um aficionado por música, política e amores anarcotropicais.
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