A Hora é Agora.

Salve, camaradas!

Sabe quando você sente que está exatamente no meio de uma oportunidade única para mudar o curso de algum acontecimento? pois então, hoje, ao ver o filme Cortina de Fumaça, e instigado pelo debate público que rolou após sua exibição, senti que nós estamos dentro de um enclave histórico em que todos precisam, urgentemente, tomar suas posições a respeito do discurso acerca da maconha. Urgente sim, pois não podemos deixar mais uma vez que a história seja escrita por eles, e não por nós. A sociedade tem que se mobilizar, se informar, tomar parte no debate público e fazer com que diferentes grupos de idéias sejam colocadas na roda e em cheque. A indiferença e a resignação são sempre o lado nobre da covarida, e mais do que nunca essa frase faz inteiro sentido.

Todos nós já estamos cansados da situação caótica que se tornou a guerra ao tráfico, uma guerra que muito mais se mostra como uma guerra contra os pobres e os não assimilados por um mercado de trabalho cada vez mais precário e desregulamentado, em que as condições deploráveis do labor se tornam a regra, e não a exceção. Ou você, quando tiver oportunidades, aceita o trabalho inglório e indigno, ou o cárcere invariavelmente te espera. O desmantelamento do Estado Social e a nova ordem imposta pelo neoliberalismo trouxeram consigo uma ideologia penal de aniquilamento e encarceramento das massas pobres que se tornou um verdadeiro beco sem saída, a não ser que continuemos cada vez mais cavando nossas próprias covas. E com essa nova ideologia trazida por Reagan e disseminada por Giuliani, o pai do “tolerância zero”, a caça ao tráfico de drogas se tornou a bola da vez, o alvo fácil para conter as “massas incivilizadas” pertencentes as “underclasses” que habitam nossas “zonas de perigo”. A criminalização das drogas, assim como sempre ocorreu durante toda a história, representa as regras do domínio e da espoliação social, e não o mal que elas causam em si para as pessoas.

A partir desse contexto, algumas perguntas devem ser feitas:

Por que tal substância foi criminalizada?

Quais pesquisas temos a respeito dela?

Quais malefícios e benefícios ela pode trazer para o usuário?

Quais interesses defendem cada ala do discurso?

A criminalização resolveu o problema?

Por que criminalizar?

Criminalizar em favor de quem e de quais interesses?

Essas perguntas precisam ser aclaradas e respondidas na arena política de um debate público em que todos devem poder emitir suas opiniões. Cada pessoa deve ter o seu parecer considerado. Não podemos deixar que o discurso sobre as drogas continue nas mãos de poucos. Não podemos deixar que esse monopólio continue reproduzindo uma ideologia que cada vez mais mascara os problemas sociais. A verdade sobre as drogas deve ser construída intersubjetivamente, e não unilateralmente.

O sinal dos tempos e a esperança do primeiro parágrafo se encontram aqui. Nós, maconheiros ou simpatizantes à causa, devemos nos informar, e com isso trazer contribuições valiosas para o debate que nós mesmos devemos lutar para ser aberto. Temos uma dupla missão, portanto. Espanta-me ver tanta gente boa calada; espanta-me ver que preferimos ruminar nossas verdades entre nós mesmos, e não procuramos colocar isso no espaço público. Mas a hora chegou. Como brasileiros, a missão não é só dupla, é tripla. A legalização da maconha não é algo que só vai repercutir no âmbito privado de comodidades de cada um, é algo que atravessará tudo, do âmbito econômico ao social. Que matem o exagero, mas pode representar um verdadeiro paradigma na nossa sociedade. Temos que assumir uma posição de vanguarda, pois movimentos pró-legalização já crescem lá fora (prop 219 é um exemplo), e aqui tudo é muito tímido. Será que mais uma vez vamos esperar que as decisões sejam primeiramente tomadas lá fora, para só depois, justificando nosso servilismo ancestral, acatarmos o que eles decidiram lá no nosso plano interno?

A hora é agora, e não podemos deixar passar mais uma vez.

Trailer do documentário citado:

~o texto foi escrito às pressas, mas pretendo, em ocasiões futuras, aprofundar esse importante debate aqui no blog~


Advertisements

Sobre Marcos Vinícius

The black sheep boy who dreams of horses. Graduado em Direito pela Universidade de Brasília, secretário parlamentar no gabinete do dep. Chico Alencar (PSOL-RJ) e membro da Esquerda Libertária Anticapitalista (ELA). Um aficionado por música, política e amores anarcotropicais.
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s